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Início do plano de manejo da Caverna do Jabuti em Curvelândia deve incentivar a Rota das Águas

Sábado, 28 de Agosto de 2010 - 16:22:04

          Em meio à tranquilidade e à vida pacata de municípios do interior de Mato Grosso, um misto exuberante de rios, cachoeiras, lagoas, balneários e caverna são cenários que passam despercebidos de muita gente que sequer tem conhecimento de tantas belezas naturais. E mais: não sabe que tudo isso, está bem perto da Capital mato-grossense.

          Quem chega a Curvelândia (311 Km a Oeste de Cuiabá), por exemplo, se depara com uma cidade típica do interior, formada por uma avenida principal, praça, igreja e um tímido comércio, mas que abriga a caverna do Jabuti, a maior do Estado, localizada na Serra do Padre Inácio, uma área de conservação conhecida como Monumento Natural da Caverna do Jabuti, a nove quilômetros do centro urbano.

          A facilidade de acesso ao local (inclusive para crianças, pessoas com dificuldades de locomoção e com deficiência), os grandes salões, a área plana em seu interior e a extensão total de quatro quilômetros são diferenciais que destacam a caverna do Jabuti das demais existentes no Brasil. Por ser a maior de Mato Grosso e pelo grande potencial turístico que possui, a Caverna do Jabuti é uma opção de turismo sustentável, que pode se tornar mais uma vertente de emprego e renda para a população local, que tem como base da economia a pecuária de leite e corte.

          O município está inserido na Rota das Águas, um projeto piloto da secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo (Sedtur), que inclui os municípios de Curvelândia, Lambari D’Oeste, Rio Branco, Salto do Céu e Reserva do Cabaçal, cujo objetivo é fomentar o turismo na região devido ao grande potencial que eles têm para o setor.

 MANEJO E EXPECTATIVA

          Conforme explicou a chefe do Parque da Caverna do Jabuti, a bióloga Fabiana Bezerra, o Monumento Natural da Caverna do Jabuti possui uma área de 250 hectares e está protegido pelo Decreto municipal nº 25 de 19/07/2007. O local ainda não está aberto para visitação porque é necessário a realização do plano de manejo, tanto na caverna (espeleológico), quanto na unidade de conservação.

          Para tanto a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) liberou recursos na ordem de R$ 30 mil para o início dos estudos do plano de manejo, que devem começar ainda no mês de agosto. “Esse estudo ambiental irá orientar os gestores da unidade quanto à capacidade de carga que a caverna pode receber de turistas por dia, qual o intervalo de tempo entre as visitas, quais os salões e galerias que poderão ser visitados, os impactos que serão causados com a visitação turística, as medidas mitigadoras para minimizar esses impactos, as áreas adequadas para construção do centro de visitantes, estacionamento, estradas e trilhas, enfim, um estudo muito amplo que envolve uma equipe interdisciplinar.

          Com a realização do plano de manejo, os estudos serão submetidos à análise dos órgãos ambientais (Sema e Cecav-ICMBio), que emitirão a licença ambiental para uso turístico da Caverna do Jabuti. Sem a realização deste estudo ambiental, não é possível abrir a caverna e alavancar recursos para construção de infraestrutura na unidade de conservação e na área urbana da cidade”, explicou a bióloga, uma das responsáveis por esse amplo projeto e que há sete anos sonha ver a caverna aberta para impulsionar o turismo da região.

          Ela informou ainda que as etapas deste trabalho serão dividas em visitas in loco, pesquisas bibliográficas, coletas de materiais para análises em laboratórios, tabelamento de dados e emissão de relatório final interdisciplinar. Doutores, mestres, professores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) iniciarão os estudos do plano de manejo no período de um ano, para que sejam identificadas as condições da caverna nas quatro estações do ano.

          A primeira etapa será a de geologia, que fará o levantamento da composição, estrutura e propriedades físicas da terra da caverna. A expectativa da população curvelense para a abertura turística da caverna é muito grande, conforme contou Fabiana, uma vez que o turismo surte efeito direto e indireto em vários setores da economia. “A Caverna do Jabuti pode ser classificada como uma caverna de rara beleza cênica, capaz de mover a curiosidade de turistas nacionais e internacionais, atraindo turistas para a visitação em Curvelândia e beneficiando os demais municípios da Rota da Águas”.

NO INTERIOR DO JABUTI

          Chegando na trilha que dá acesso a essa grandiosa beleza, o cinza do asfalto dá lugar ao verde da vegetação e, ao poucos nos aproximamos da grande formação rochosa constituída de calcário, arenito e outros minerais que ao longo de milhares de anos deram espaço a uma imensidão que, apenas quem vê é capaz de definir tamanha beleza. Adentrando aos salões, são reveladas as perfeições da ação da natureza, que parecem ter sido esculpidas a mão, resultado da água que atravessa a rocha e dissolve aos poucos o calcário.

          Ao chegar no interior da caverna a gota se cristaliza formando as estalactites no teto e as estalagmites no chão, originando verdadeiras obras de arte. As formações geológicas seduzem o olhar por causa da diversidade e complexidade das colunas e cortinas de calcário. A expectativa é grande pela abertura da Caverna para visitação, já que o local é um deleite para os amantes do turismo de cavernas, ou espeleoturismo, que consiste em explorar e conhecer o interior dessas fantásticas formações. Mas é uma ótima opção também para leigos no assunto.

          O fundamental e necessário é respeitar e conhecer os segredos das cavernas e os próprios limites, e claro, aproveitar os momentos de emoção, viver os instantes onde o tempo parece estar congelado, contemplando a ação da "Mãe Natureza".

          Depois que os técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) mapearam a Caverna do Jabuti, os salões e suas ‘esculturas’ naturais receberam nomes que os identificam, como por exemplo a estalagmite gigante que está no ‘salão do Pão de Açúcar’. Outros salões existentes na caverna são: Nossa Casa, Cortinado, Claraboia (salão das colunas), Buracão, Vaca Seca, Templo da Expansão do Universo, Repolho, Altar do Sacrifício, da Cocada. Algumas formações geraram esculturas curiosas que também receberam nomes como o Porco e o Bacon.

          Onde a luz da lanterna ilumina se descobre as belezas e as singularidades de cada espaço. São piscinas de traventino, estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, geodos flores de aragonita, estalagmites gigantes que constituem as formações de cada salão. Um espetáculo! Quem vê, não esquece!

 

DANI CUNHA / Redação SECOM/MT


Autor: ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
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